Em Ano Nacional da Colaboração, o GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial e o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, promoveram no dia 1 de Outubro, em Lisboa, a conferência ODS | Balanço e desafio 2030A organização conjunta desta primeira iniciativa foi assinalada com a assinatura de um protocolo de colaboração entre ambas as Associações, que visa a cooperação no apoio às empresas para a implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos pelas Nações Unidas.

 

Num auditório cheio, Margarida Couto, Presidente do GRACE em representação da Vieira de Almeida & Associados deu as boas-vindas a empresas e convidados, realçando que esta parceria entre ambas as Associações é um claro sinal de colaboração para que o tema dos ODS ganhe notoriedade na agenda nacional. João Castello Branco, Presidente do BCSD Portugal em representação da The Navigator Company, acrescentou que a década que se avizinha será de extrema relevância. 

 

 

Seguidamente, Cláudia Coelho, Sustainable Business Solutions Director do Associado PwC, partilhou com os presentes uma antevisão do estudo SDG Challenge 2019 – Compreender a evolução das empresas portuguesas na abordagem aos ODS.

 

 

Neste estudo foram analisadas 1145 empresas de 31 países, sendo 35 delas nacionais, ao qual se concluiu que o tema dos ODS ganhou relevância junto dos CEO, comparativamente ao ano passado. Contudo, a inclusão dos mesmos na estratégia da empresa continua aquém do expectável, mais a nível nacional do que europeu.

Verificou-se uma grande disparidade entre "falar sobre ODS" e "implementá-los". Se 90% dos inquiridos reportam informação sobre pelo menos um ODS, no que toca ao registo de progresso essa percentagem cai para os 2%.

Curiosamente, o Top 3 Mundial dos ODS coincide com o Nacional. Aos ODS 8, 12 e 13, Portugal acrescenta o ODS7, o das energias renováveis e acessíveis.

 

Os dados partilhados deste estudo, que será formalmente apresentado em Novembro, serviram de mote para um “À conversa com..”, moderado por Luís Roberto, Vice-Presidente do GRACE em representação da Fundação BP e João Wengorovius Meneses, Secretário-geral do BCSD Portugal, com 4 representantes de empresas Associadas do GRACE e do BCSD Portugal.

 

 

Considerando que as empresas representam 75% do PIB Mundial, é fulcral que estejam alinhadas com os ODS, realçou João Meneses, acrescentando que atingi-los obriga a uma atuação sistémica e mudança de perspetiva, com um “propósito” assumido. A empresa tem de deixar de “ser a melhor do Mundo” para “ser a melhor para o Mundo”. Luís Roberto frisou que os ODS devem ser encarados como oportunidades de negócio, podendo representar, segundo dados internacionais, cerca de 12 triliões de dólares, pelo que o mapeamento de todos os stakeholders deve ser criterioso. Esta adaptação constante em matéria de sustentabilidade ditará a sobrevivência futura das empresas a nível global.

 

A ideia foi reforçada por Franco Caruso, Corporate Communications & Sustainability Manager do Associado Brisa, que deu nota de que a Brisa evoluiu do mero serviço de portagens a empresa para prestação de serviços de mobilidade, graças a uma refletida mudança estratégica e inovação do modelo de negócio. Apesar do estabelecimento de parcerias entre públicos, privados e Economia Social ser difícil, estas sinergias são importantes quando bem estruturadas e geridas.

 

Isa Viana, da Direção da Qualidade e Marketing do Associado Eurest, abordou a importância da medição do impacto, afirmando que a Eurest está a implementar ODS específicos, alinhando as estratégias, campanhas e parcerias.

 

Já o Associado Jerónimo Martins, representado por Tiago Silva, Corporate Sustainability Senior Manager, referiu que o desperdício alimentar é o grande foco de atuação, tendo como meta reduzir para metade o desperdício de alimentos per capita a nível mundial, de retalho e do consumidor, ao longo das cadeias de produção e abastecimento até 2030. Segundo Tiago Silva, a caminhada da sustentabilidade na Jerónimo Martins começou em 2012 com a conferência Rio+20, e desde então as tendências têm sido alinhadas com toda a estratégia e atuação do Grupo.

 

Ana Veríssimo, CSR & Foundation Manager do Associado Vodafone, deu grande destaque ao ODS 3, relativo à Saúde, revelando que a análise à cadeia de valor é uma constante na empresa. Também manifestou que, apesar das grandes expectativas geradas pelos ODS no geral, o progresso feito ainda é reduzido, chamando a atenção que a implementação da Agenda 2030 será a nova licença para operar e florescer.   

 

Após este balanço e partilha de experiências e boas práticas, ficou claro que a Agenda 2030 e os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável não podem ser ignorados e é imperativo global a sua implementação o quanto antes, de forma estruturada e eficaz por todos – desde o CEO ao colaborador.  

 

 

Antes do final da conferência, Mariana Ribeiro Ferreira, Vice-Presidente do GRACE em representação da José de Mello Saúde, partilhou o lançamento da ODS MasterClass. Este programa de capacitação, produzido pelo CSR Europe, destinado às empresas (associadas e não associadas), será orientado pelas 2 Associações com a primeira sessão a decorrer no dia 26 de Novembro, em Lisboa.

Informações adicionais e inscrições estarão disponíveis no site do GRACE a partir de 8 de Outubro.

 

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