Pelo terceiro ano consecutivo, e no âmbito do programa de estágios Study in Portugal Network, promovido pelo associado FLAD, o GRACE acolheu mais uma estudante americana: Maria Nazarova, natural da Califórnia. 

 

 

 

Passaste 2 meses no GRACE a acompanhar o trabalho que desenvolvemos diariamente. Que experiências levas daqui? E de Portugal?

Aqui aprendi como falar com entidades nas etapas diferentes de RSC e como passar a mensagem. As experiências são muitas, incluindo conhecer como Portugal está a tentar ligar os sistemas educativos com as empresas, e trazer as oportunidades de voluntariado às empresas. A RSC sempre foi um interesse pessoal, mas não sabia como convencer as empresas, nem como conversar com elas sobre boas práticas internas e externas. Agora tenho um pouco mais consciência de como abordar as empresas com impacto na comunidade. Já tinha tido a oportunidade de estar cá no ano passado, mas desta vez fiz mais pesquisa sobre restaurantes, bares, sítios e pessoas que estão cá. Por isso, mesmo que existam algumas coisas que unem os Portugueses, acho que Portugal é cada vez mais eclético e com muitas culturas e subculturas importantes. A presença dos refugiados e migrantes muda um pouco as realidades dos bairros e dos espaços, mas o país responde bem a essas mudanças, o que mostra o poder e inteligência dos Portugueses.

 

Quando regressares aos EUA, o que poderás aplicar e como?

Nos EUA, posso aplicar a língua, porque moro numa cidade metropolitana com muitas pessoas quem falam Português. Também tenho mais confiança em falar com pessoas em situações de networking. Além disso, posso aplicar tudo o que aprendi sobre o trabalho de várias entidades portuguesas com os refugiados. Nos EUA a situação pode ser diferente, mas as potenciais soluções no que à integração dizem respeito podem ser aplicadas lá também. Um exemplo específico que estou a tentar aplicar nos EUA é uma solução para a barreira da língua que existe quando alguém chega a um novo país com o modelo “Take SPEAK to your city”.

 

Qual foi a coisa mais importante que aprendeste? E o momento mais divertido?

A coisa mais importante que aprendi provavelmente foi a quantidade de oportunidades que existem no setor da RSC e todos os métodos de fortalecer as boas práticas dentro de uma empresa. Nunca tinha pensado em trabalhar neste setor, mas agora que tenho essa experiência, sinto-me inspirada para prosseguir um trabalho nesta área. Os momentos mais divertidos foram os almoços diários, porque a equipa inteira estava lá, e conheci-os melhor como pessoas e não só como colegas. Também gostei imenso do evento Uni.Network, porque foi o meu primeiro evento, e senti-me muito orgulhosa por fazer parte da equipa do GRACE e ter um papel nesta ligação entre alun@s como eu, e empresas que realmente estavam interessadas nos projetos destes alun@s.

 

Achas que há algo que devíamos melhorar?

Para mim, acho que tudo correu muito bem, a única coisa é que falo Português do Brasil e acho que poderia ter sido melhor se mais pessoas me corrigissem para ter em conta as diferenças entre as duas variantes. Em termos de trabalho, houve momentos em que não havia projetos ou trabalho específico e poderia ter havido mais coisas para eu fazer. Em termos de eventos, acho que seria bom envolver mais os alun@s no evento do Uni.Network para falar sobre melhorias para o próximo ano. Durante a reunião na qual participei depois da cerimónia de entrega dos prémios, havia professores e empresas a tentar melhorar o processo, mas acho que, pelo menos, os vencedores deviam ter participado. Em alternativa, podem pedir feedback aos alunos sobre o processo, por que participaram e se têm sugestões de melhoria. Acredito que o voluntariado é muito importante para a RSC e, mesmo que o “voluntariado seja voluntário”, o GRACE tem notoriedade e reconhecimento suficiente para “exigir” mais de todos os Associados em termos de programas de voluntariado e participação nesses programas.

 

Quais as principais diferenças que encontraste entre a RSC nos EUA e em Portugal? Que boas práticas/ exemplos inspiradores de lá poderíamos aplicar cá?

A principal diferença para mim foi como as pessoas interagem e comunicam. Nos EUA é mais difícil fazer eventos que reúnam tantos presidentes, CEOs, etc. Boas práticas dos EUA que poderiam ser aplicadas cá, destaco os workshops de leadership para encorajar esse modelo mais a nível top down, e também o facto de voluntariado ser obrigatório para os alun@s, ou pelo menos mais encorajado pelos cursos universitários. Assim, percebem o impacto que eles e a empresa onde irão trabalhar podem ter no mundo.

 

Gostarias de voltar no futuro? E gostarias de participar em alguma iniciativa do GRACE? Qual e porquê?

Gostaria muito de voltar no futuro e, se tudo der certo, voltarei em breve. Queria participar nas Ideias Cruzadas porque foi um evento que não aconteceu durante meu estágio e também porque me inspirei no projeto para uma apresentação e adorava ver como funciona de verdade. Este evento é muito interessante também, porque estou a tentar levar o SPEAK para os EUA, e sinto-me como se fosse um dos projetos que fazem os pitchs nas Ideias Cruzadas.