No passado dia 5 de Julho, o Associado Fundação EDP acolheu mais um Encontro Temático do GRACE, desta feita dedicado a “O papel das Empresas na preservação e promoção do Património Cultural”.

As boas-vindas estiveram a cargo de José Manuel dos Santos, Administrador e Diretor Cultural da Fundação EDP, que partilhou a história do Museu da Eletricidade como forte aposta na cultura e património da empresa.  

 

 

Seguidamente, Margarida Couto, Presidente do GRACE em representação da Vieira de Almeida & Associados, moderou o painel constituído por Ana Monteiro, Coordenadora do Património Histórico do Associado CGD, Graça Serejo, Secretária Geral do Associado CP Comboios de Portugal, Conceição Amaral, Administradora Executiva da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva e Luísa Seixas e Inês Castro, Investigadoras do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

 

 

Ana Monteiro falou sobre o Departamento de Gestão do Património Histórico e a preservação de 142 anos de história do Banco, obviamente indissociável da história e cultura do país e das ex-Colónias, com realce para as 9 mediatecas existentes nos PALOPs para dar acesso ao conhecimento a quem não tem. A Coordenadora do Património Histórico lamentou, no entanto, a falta de valorização e (re)conhecimento de algum trabalho efetuado por aquele Departamento,  nomeadamente aquele que não se vê, como artigos, estudos, etc.

 

Graça Serejo partilhou o percurso centenário das linhas ferroviárias portuguesas com um vasto e riquíssimo espólio, reforçando as parcerias ativas com os municípios, sendo a CP um dos “pivôs da guarda deste património”. Deixou o repto a todos os presentes para visitarem o Museu Ferroviário, localizado no Entroncamento. Felicitando a celebração europeia do Património Cultural, recordou que a CP aposta há largos anos na sua preservação e divulgação com o Comboio Histórico do Douro, por exemplo.    

 

Luísa Seixas e Inês Castro abordaram o Projeto Memória para Todos, programa que surgiu em 2014, associado ao centenário da I Grande Guerra, a partir da ideia de que o Património é algo vivo e apela à sociedade civil que colabore na construção da narrativa da História de Portugal. As Investigadoras do IHC destacaram ainda o importante papel das empresas na colaboração e na disponibilização dos seus arquivos, tão pertinentes na recolha de todo este conhecimento.

 

Conceição Amaral falou sobre o difícil momento que a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva atravessou nos últimos anos, sendo a questão fundamental saber como se assegura a manutenção de património imaterial, nomeadamente arte e ofícios, sem recursos financeiros. A parceria estabelecida com a Santa Casa da Misericórdia e a Câmara Municipal de Lisboa veio permitir a continuidade da Fundação e das suas escolas formativas.

 

 

Após o animado debate,Guilherme D’Oliveira Martins, Administrador Executivo da Fundação Calouste Gulbenkian e Coordenador do AEPC, abordou as várias dimensões do Património, nomeadamente o material, imaterial, natural e contemporâneo, realçando que a sua preservação é um dever de todos. É importante que ajudemos crianças e jovens - cidadãos de hoje e do amanhã - a tomar consciência desta riqueza nacional e aprender os conceitos e valores de cidadania. Chamou também a atenção para o facto de ser fundamental colocar “as pessoas no centro de nossas preocupações”, já que são elas os verdadeiros veículos de promoção e criação de herança histórica e cultural. Falar de património não é falar somente da antiguidade, é também falar de modernidade e da realidade humana atual.

 

 

A sessão de encerramento coube a Maria Fernanda Rollo, Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que apelou à aproximação das áreas da arte e da ciência, destacando que ao integrarmos a academia com a sociedade, veremos novas possibilidades de crescimento em ambas áreas. A esse respeito, falou sobre património digital, uma nova dimensão, salientando as vantagens e desafios desta evolução digital na sua relação com o património cultural. A Secretária de Estado terminou lançando o convite aos presentes a juntarem-se ao Diretório dos Repositórios Digitais, plataforma nacional que visa construir um arquivo digital nas áreas da Ciência e da Cultura.