No âmbito dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, o CSR Europe desenvolveu uma “incubadora” que pretende explorar e identificar oportunidades de colaboração entre empresas e stakeholders no cumprimento dos ODS.

 

Inserida nessa “incubadora” encontra-se o tema da integração de refugiados e migrantes no mercado de trabalho e na sociedade. Apesar dos esforços já levados a cabo por instituições (como a PAR) e boas práticas de empresas, permanecem ainda várias barreiras à integração desta população vulnerável.  

Tendo em vista a aproximação entre empresas, parceiros nacionais e stakeholders, o CSR Europe promoveu, no dia 29 de Junho, em Bruxelas, um workshop dedicado a “Business-led Collaboration for Refugees and Migrants”. Portugal esteve representado pela PAR (Plataforma de Apoio aos Refugiados), na qual o GRACE integra a Comissão Executiva.  

 

Este Workshop marcou o inicio de uma potencial parceria entre empresas, organizações da sociedade civil e outros parceiros estratégicos no sentido de implementar um projeto que aproveite as suas sinergias e capacidades para dar resposta aos desafios humanitários e societais que se colocam nos nossos dias, em particular o da integração social e laboral dos migrantes/refugiados,, tendo como principais objetivos:

  • Partilhar perspetivas, desafios e soluções;
  • Identificar oportunidades concretas de colaboração e desenvolvimento de projetos no futuro;
  • Criar uma parceria de vontades e interesses.

 

Foi com base nesta preocupação partilhada e na vontade de encontrar respostas a estes desafios que decorreram as atividades desenvolvidas ao longo do Workshop.

Um primeiro momento foi dedicado à apresentação, enquadramento político e oportunidades de financiamento. O Diretor Executivo do CSR Europe, Stefan Crets, deu as boas-vindas aos convidados e lançou o desafio de se encontrar uma proposta de projeto, no âmbito da incubadora que envolvesse os atores empresariais e as organizações da sociedade civil na procura de soluções inovadoras na integração social de refugiados e outros migrantes nas sociedades de acolhimento, em particular na componente laboral e promoção da empregabilidade.

Foi também neste contexto que a representante do Gabinete de Políticas para as Migrações e Assuntos Internos da Comissão Europeia, Agnese Papadia, teve oportunidade de apresentar os princípios e preocupações que enquadram o plano de ação da CE para a integração de nacionais de países terceiros (NPT), bem como as oportunidades de financiamento que se perspetivam no futuro.

Seguidamente foram apresentadas algumas “boas práticas” desenvolvidas por empresas em articulação com os organismos nacionais de promoção da responsabilidade social empresarial, nas áreas da empregabilidade, ativação direta de empregos, resposta às necessidades básicas e integração social e profissional.

Por fim, foram criados 4 grupos de trabalho com a finalidade de identificar questões relevantes, partilhadas pelos diferentes países europeus e passíveis de ser respondidas através de projetos inovadores que envolvessem diversos parceiros, e com o objetivo de promover a integração social através da empregabilidade.

 

Como resultado destas dinâmicas de grupo, foram eleitos três tipos de projetos que poderão vir a ser objeto de candidatura no âmbito do financiamento da AMIF (Asylum, Migration and Integration Found):

O primeiro foca-se no desenvolvimento pessoal e social dos jovens migrantes/refugiados e tem como objetivo promover as competências para a empregabilidade através do fortalecimento sua autoconfiança, autoestima e valorização pessoal, bem como sensibilizar as empresas para se envolver na capacitação e desenvolvimento pessoal e social dos jovens migrantes. Neste sentido, o voluntariado empresarial seria treinado para colaborar em ações e atividades de carácter formativo com os jovens de forma a desenvolver diferentes componentes da sua formação pessoal e social (consciencialização para os direitos humanos, capacitação para o empreendedorismo, participação e envolvimento na comunidade de acolhimento...). Este tipo de projetos poderia ter um carácter local ou regional, e seriam geridos pelas organizações da sociedade civil com maior proximidade aos jovens migrantes.

 

O segundo tipo de projetos enquadra-se na área do emprego direto (direct employment) e visa consciencializar as empresas da UE para a necessidade de se prepararem para empregarem migrantes/refugiados, enquadrando este desígnio no contexto da política de formação de recursos humanos. As atividades a desenvolver poderiam passar por campanhas a nível europeu para partilha de boas práticas (apresentação projetos inovadores levados a cabo por empresas de referencia internacional, exploração de obstáculos e fatores de sucesso à integração de refugiados nas empresas, produção de vídeos...); realização de um roadshow europeu para apresentação e discussão destas questões nas organizações empresariais nacionais; criar uma pool de peritos europeus, de diferentes áreas socioprofissionais para trabalhar estes assuntos; envolver os refugiados na partilha das suas experiencias de integração laboral. Este tipo de projeto teria um carácter europeu de modo a sensibilizar as organizações empresarias para o desafio da empregabilidade no contexto dos migrantes/refugiados.

 

Por fim, o terceiro tipo de projetos teria como finalidade envolver as empresas na formação, mentoria, treinamento e reconhecimento de competências dos migrantes/refugiados adultos, com destaque particular para as mulheres. A ideia centra-se em preparar programas de formação em contexto de trabalho, durante um período relativamente rápido – no máximo 3 semestres – em que os formandos, de acordo com as suas competências de base, passariam por 2 a 3 empresas – género de formação em carrossel -, no final do qual lhes seria atribuído uma certificação de reconhecimento de competências, facilitando, deste modo, o seu acesso e integração no mercado de trabalho. Todo este programa seria levado a cabo assente em parcerias entre as empresas e as organizações da sociedade civil envolvidas no acolhimento e integração de migrantes/refugiados, envolvendo peritos na área educacional, os departamentos de formação das empresas e o setor público, em particular na área da formação, emprego e reconhecimento de competências socioprofissionais. Este tipo de projeto teria um enquadramento europeu, mas a sua operacionalização seria de base regional.

 

O CSR Europe irá então desenvolver uma proposta de projeto a candidatar a fundos europeus com base nos resultados alcançados. Esta proposta será partilhada com os diversos parceiros de modo a aferir as ideias e vontades de todos os interessados.

 

O nosso agradecimento a Mário Rui André pela partilha de toda a informação.